Quando plantar é uma forma de protesto
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Por Kelly Ikuma.

Jardineiro de guerrilha.

Quando a comida começou a ser uma arma mais letal que a própria violência em sua comunidade, no centro-sul de Los Angeles, Ron Finley deu um primeiro e modesto passo para mudar aquela realidade. Em 2010, cansado de levar 45 minutos para comprar uma maça sem agrotóxicos e de ver a obesidade crescer de maneira acelerada entre seus vizinhos, ele decidiu iniciar sua própria plantação de alimentos.

A semente da mudança foi plantada literalmente na porta de sua casa. Ele utilizou o canteiro da frente, uma faixa de terra com 45m x 3m, e transformou em um jardim com legumes, frutas e verduras. E, sem ter noção da proporção do bem que estava fazendo, começou uma revolução em sua cidade.

Encantados com aquela ilha verde em seu bairro, dezenas de voluntários se uniram a Finley para atuar como jardineiros de guerrilha. Armados com enxadas, sementes e adubo, eles transformaram os terrenos baldios da região em frondosas plantações. É de lá que sai boa parte do alimento da comunidade, que ficou mais saudável e bem menos violenta.

Assim como um grafiteiro que embeleza as paredes, eu embelezo os gramados, os canteiros. Você se surpreenderia com o que o solo pode fazer se você o deixasse ser a sua tela”, declarou Finley para um público de centenas de pessoas durante uma TED*, série de palestras divulgadas mundialmente com ideias que merecem ser compartilhadas.

Em sua apresentação para a TED, o hoje autointitulado “jardineiro de guerrilha” incentiva pessoas ao redor do mundo transformar espaços não utilizados — como avenidas, lotes vagos e meios-fios — em florestas comestíveis.
Confira aqui o TED de Ron Finley :

*TED (acrônimo de Technology, Entertainment, Design) é uma série de conferências sem fins lucrativos, destinadas à disseminação de idéias. Suas apresentações são limitadas a dezoito minutos e os vídeos são amplamente divulgados na Internet.

 

HORTA NO DF

A ideia de transformar terrenos abandonados em hortas comunitárias também é um projeto que ganha cada vez mais adeptos em Brasília. A última inauguração foi no bloco H do Centro de Atividade 5 do Lago Norte. No dia 10 de setembro, o espaço de 40 metros quadrados ganhou da comunidade mudas de alface, cebolinha, pimenta, manjericão, poejo, hortelã, sementes de salsa, coentro e outras variedades.

Um pouco mais distante, em São Sebastião, outra iniciativa ganha corpo na Quadra 12 do Morro Azul. Inaugurada em 2005, a Horta Comunitária Girassol, onde antes abrigava um dos lixões da cidade, começou com dois canteiros e hoje já ocupa uma área de cinco mil metros quadrados. O projeto é aberto à comunidade e doa alimentos a creches da região com a ajuda da administração local e Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Governo do Distrito Federal (Emater-DF).

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